Devedor contumaz: projetos de Lei em tramitação preveem punições.

, Artigos

Saiu na mídia uma entrevista da Dra. Sheila para o Jornal Jurid, confira abaixo:

O conceito “devedor contumaz”, que se refere aos que conscientemente visam o não pagamento de tributos de forma explícita,  é familiar ao Poder Judiciário e é utilizado para contextualizar suas decisões. Porém, atualmente não há legislação vigente que permita a aplicação direta de sanções.  E assim, de acordo com a advogada Sheila Shimada, da Shimada Advocacia e Consultoria, sempre que o Poder legislativo busca combater os sonegadores criminosos esbarra na ausência sanções que possam ser impostas àqueles que adotam a prática de forma sistemática para obter vantagens concorrenciais. 

 

Os setores em que há mais devedores contumazes são os de combustíveis, cigarros e bebidas, altamente regulados pelo Estado. “O conceito doutrinário de devedor contumaz poderia ser definido como empresas ou pessoas físicas que utilizam mecanismos jurídicos muito frágeis para não pagarem impostos. Quanto mais o devedor ajuizar ações judiciais com fundamentos frágeis para propositalmente deixar de pagar tributos, mais fica caracterizada a referida definição”, esclarece Shimada.

 

Dessa forma, o devedor contumaz acaba se beneficiando da lentidão para que eventualmente suas dívidas sejam executadas e, portanto, da possibilidade de receber cobranças tributárias. Ou seja, na prática, acaba ganhando tempo e obtendo inclusive considerável lucro com esse “modelo de negócio”. Além disso, a dívida do devedor contumaz é contraída pelo Estado, que arrecada menos e também pelo mercado em que ele está inserido que se submete à concorrência desleal. 

 

Atualmente existem dois projetos de lei em tramitação no Congresso os quais contêm definições para a figura do devedor contumaz. São o PLS 284/2017 e o projeto de lei 1646/2019. O primeiro define devedor contumaz como aquele que atua no campo do ilícito, “trata-se de criminoso, e não de empresário, que se organiza para não pagar tributos e, com isso, obter vantagem concorrencial”. Já o projeto de lei, que trata da questão em âmbito federal e engloba débitos de valor igual ou superior a R$ 15 milhões por um ano, em nome do próprio devedor ou de pessoa integrante do grupo econômico ou familiar, define devedor contumaz como “aquele cuja atuação extrapola os limites da inadimplência e se situa no campo da ilicitude, com graves prejuízos a toda sociedade” e 

 

“Outro ponto importante acerca dos projetos em tramitação é que, caso aprovados, contribuirão para melhorar a  distinção entre o devedor contumaz e o inadimplente, sendo que o segundo não acumula a dívida em caráter intencional e não pode ser submetido à mesma forma processual”, conclui Shimada.

Deixe uma resposta